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Dr. Ricardo Gomes

Periodontista

 

No Brasil, 40% da população sofre com o Mau Hálito, independente da idade.
Em estudos recentes, sabemos que cerca de 96% das possibilidades do Mau Hálito acometer uma boca, tem como causa a placa bacteriana da língua, popularmente conhecida como "saburra lingual".

Os fatores predisponentes para a sua formação são:

- Microorganismos: anaeróbios proteolíticos;

- Substrato alimentar: proteínas da saliva, restos alimentares, células epiteliais
  descamadas;

- Potencial de Oxigênio: varia de forma decrescente, desde as regiões da ponta
  da língua até as regiões mais posteriores;

- Características da base de suporte (língua): lisa, fissuradas, papilas de baixa ou 
  média altura, língua pilosa;

- Características da saliva: aumento da concentração de mucina devido à redução
  do fluxo salivar ou não.

Esclarecemos os tópicos acima:

Os microorganismos anaeróbios proteolíticos, realizam proteólise através de proteínas
encontradas no substrato. Entre as diversas fontes protéicas, as mais preocupantes
são as proteínas salivares e as proteínas das células epiteliais descamadas, isto porque as primeiras são "nativas", portanto de controle mais difícil e a segunda, possui queratina, que é rica em cistina e cisteína, aminoácidos carregados de enxofre, que após a proteólise forma-se o composto sulfurado volátil, de odor mais forte, o sulfidreto (SH2).
Quanto ao potencial de oxigênio, os microorganismos proteolíticos são do tipo 
anaeróbios, portanto quanto menos oxigênio, mais facilmente eles realizam seu 
metabolismo, aumentando consideravelmente suas colônias e conseqüentemente a
saburra lingual. Por esta razão, notamos que no terço anterior da língua, onde a 
oxigenação é maior que no terço posterior, forma-se menos saburra.
Outro fator importante para maior ou menor formação de saburra, são as características do suporte sobre o qual a placa bacteriana lingual adere-se.
Na região do palato, mais próximo da garganta, o potencial de oxigênio é baixo, tanto
quanto no terço posterior da língua e no entanto não se forma saburra no palato.
Isto acentua a importância das características da língua. As papilas lingual, quanto mais altas, maior será a formação de saburra, uma vez que na base da papila, a oxigenação é zero. Portanto, em uma língua pilosa, forma-se muita mais saburra que em uma língua normal, o mesmo pode ser considerado em uma língua fissurada.
Se as características da saliva forem boas a saburra formar-se-á muito levemente, ou
não se formará.
A característica mais importante da saliva que interfere na formação da saburra é a
concentração de mucina, observada em sua viscosidade.
Experiências têm demonstrado que quando há ação do simpático, haverá maior concentração de mucina, sem redução considerável do fluxo salivar, sendo válido somente para as glândulas submandibular e sublingual.
Outras experiências demonstram que uma diminuição da acão do parassimpático, reduz o fluxo salivar e conseqüentemente aumenta a concentração de mucina na saliva total.
Portanto em estímulos parassimpáticos a glândula que responde com maior intensidade é a parótida, que não sendo glândula mucosa, não produz mucina, a saliva que se forma é bastante fluída e pode compensar o excesso de mucina produzida pela submandibular.
O metabolismo proteolítico realizado pelos microorganismos localizados no dorso lingual produz três tipos de compostos de enxofre: sulfidreto (SH2), metil mercapitana (CH3SH) e dimetil sulfeto (CH3SCH3), denominados genericamente de compostos sulfurados voláteis - C.S.V. O sulfidreto tem odor de ovo choco e a metil mercapitana cheiro de estábulo. 
Nas doenças periodontais, do ponto de vista bioquímico, os odorivetores presentes são resultantes da putrefação de matéria orgânica nas lesões com o aparecimento de
compostos, tais como: putrecina, cadaverina, indol, escatol, fenol, hidrocarboneto
metano, aminas, amônia e em bolsas profundas, sulfidreto, substâncias de alto potencial de excitação olfativa.
Na gastroenterologia, há pacientes portadores de refluxo - gastro - esofageano, que através de regurgitação levam à cavidade bucal, o ácido clorídrico, provocando descamação epitelial e restos alimentares, que irão contribuir no substrato alimentar.
Estudos recente evidenciam que o gotejamento nasal posterior (ação de microrganismos anaeróbios - odor forte exalado pelas fossas nasais) é provocado pelo refluxo; doentes portadores de hérnia de hiato com retenção alimentar - putrefação - hálito.
Em otorrinolaringologia, a presença de amigdalas crípticas com caseos, contribuem bastante na formação de hálito;gotejamento nasal posterior, citado acima, sinusites faringites, adenóides, alterações das fossas nasais - estes quando presente, dificultam a respiração pelo nariz - levando o paciente respirar pela boca, provocando 
xerostomia (descamação da mucosa por ressecamento, aumento da viscosidade salivar - formação de saburra lingual - odorivetores.

Alertamos que a etiologia dos problemas de Mau Hálito é complexa e multifatorial.
A Halitose não é somente causada por problemas locais, mas pode também ser um indicador de desordens sistêmicas sérias. Portanto a anamnese e exame clínico devem ser sempre completos, mesmo quando uma causa evidente já foi determinada.

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