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Artigo publicado em setembro de 2002



Dr. Gilberto Borges de Brito
Gastroenterologista
 

Será que você é obeso? Será que é obeso mórbido?
Ou será que é super ou talvez super-super obeso?.

   Faça o seguinte: divida o seu peso pela sua altura e este resultado divida pela sua altura novamente. O resultado final é o seu índice de massa corporal. Se ele for maior que 27 kg m2 você já é obeso. Se for igual ou maior que 35, você é obeso classe II. Se for igual ou maior que 40 você é obeso classe III ou mórbido. Se for maior que 50, super obeso e maior que 60 super-super obeso. 

   Bem, ter 40, 50, 100, 200 kg acima do seu peso normal cria um amplo espectro de dores, dissabores, doenças, desabilidades, sofrimentos orgânicos psicológicos formidáveis. 

   Tudo que faz parte do cotidiano fica difícil ou muitas vezes impossível: locomover-se/ pegar o ônibus/ expor-se socialmente/ caminhar na praia/ fazer amor/ passar desapercebido/ experimentar a roupa que lhe agrada/ arranjar emprego/ freqüentar a escola/ dançar na boate/ manter o casamento/ arranjar namorado/ ter filhos/ higienizar-se/ fazer exame de tomografia, de ressonância magnética e até mesmo de ultra-som/ etc. 

   E é assustador saber que se tem 40 vezes mais chances de morte súbita por infartos, por apnéia do sono, por ruptura de aneurisma e etc., do que os não obesos. Ou que em qualquer faixa etária em que se encontre tem de 8 à 10 vezes mais de risco de morte por diversas causas. Ou ainda que se tem 3 à 5 vezes mais chances de adquirir cânceres do intestino grosso, do ovário, do útero, das mamas e da próstata. Ou finalmente constatar que não há obesos mórbidos em asilos de velhos.

   Não há portanto nenhuma dúvida que a obesidade severa é uma doença grave, capaz de diminuir drasticamente a qualidade e significativamente a quantidade de vida.

   Vencer esta doença séria é necessário, é possível, mas não é fácil. Os obesos são erradamente visto pela sociedade como pessoas sem força de vontade, negligente, glutões, preguiçosos e que são obesos porque querem. Ledo engano. 

   Eles não querem, eles lutam bravamente, fazem sacrifícios famélicos e suportam efeitos colaterais, mas não vencem a obesidade severa, porque ela é como a cor dos seus olhos ou sua altura, ou seja, é em grande parte (mais ou menos 80%) determinada por genes. 

   Agora digam me que força de vontade faz a pessoa crescer 5 cm ou ficar com os olhos azuis. Portanto não se pode ver os pacientes obesos preconceituosamente. Quem falha na luta contra a obesidade não são eles e sim os métodos de tratamento utilizados até então.
 

   Mas há uma solução. Há como vencer esta doença. A cirurgia tem sido a resposta para isto nas últimas décadas e de 40 anos para cá tem provado cientificamente ser o único método disponível até o presente momento, capaz de induzir significativa perda de peso e mantê-la a longo prazo. Mas não é fácil para ninguém aceitar uma cirurgia. 

   Há o medo de morrer por causa do procedimento. Há o medo de perder um dos poucos prazeres da vida que o obeso conhece, o de comer bem. Há o medo do desconhecido.

   Mas para os que vencem o medo e a angústia de uma decisão ou dificuldades iniciais de adaptação há um mundo novo, maravilhoso, com uma ampla variedade de prazeres e benefícios diversos e uma expectativa de vida normalizada.

Estas pessoas reiteradamente, uniformemente me dizem: 
  
Doutor, a minha vida é outra. Eu nasci de novo.
eu só me arrependo de não ter sido operada antes.
Estou super, hiper feliz.
Não sou mais diabético.
Não tomo mais remédio para pressão alta.
Minhas dores na coluna, no joelho sumiram.
Minhas pernas não incham mais.
Minha apnéia do sono e o ronco desapareceram.
Doutor, eu não acredito que eu era assim (foto antes x foto depois).
 

   Quando analisa-se criteriosamente os prós e os contras da cirurgia x obesidade severa ( IMC > 35), não há dúvida a analise favorece a cirurgia, porque até o presente momento esta é a mais eficaz arma capaz de vencer a obesidade no longo prazo.

   Mas ainda há muitas perguntas importantes: -Que tipo de cirurgia devo fazer? Há várias técnicas diferentes, todas com vantagens e desvantagens. Como decidir? E quais os riscos envolvidos e complicações? Que benefícios posso esperar, obter para a minha saúde e para a minha vida? E como fico com relação a este delicioso prazer, o de comer bem? Será que vou passar fome como nos regimes?

   As respostas a estas perguntas importantes, devem ser dadas de maneira completa, aprofundada e didática. Você tem não apenas que ouvi-la, mas compreendê-las de fato.