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Dra. Valéria Dória M. Costa

Ginecologia e Obstetrícia
Ultra-sonografia

 

   
A endometriose é uma das mais intrigantes enfermidades que o ginecologista encontra na sua prática diária. Definida de forma simples como a presença fora da cavidade uterina de tecido semelhante ao endométrio ( tecido que é eliminado durante a menstruação), permanece um enigma mesmo já sendo descrita há mais de um século.

 


   Afeta mulheres durante a vida reprodutiva, com maior incidência na 3ª década, afetando mais as mulheres brancas e de melhor nível social.

   É interessante notar a propensão das pacientes que nunca engravidaram para apresentar esta enfermidade, fato que realça as seguintes teorias : 

 1-o intervalo de tempo, voluntário ou não, sem ocorrência de gestação teria influência no surgimento da endometriose. 

 2-a endometriose é um fator de infertilidade.

TEORIAS


    A gênese da endometriose não é completamente entendida, desconhecendo-se a origem exata do endométrio ectópico.

As principais teorias são:

1-Regurgitação pelas trompas uterinas do material menstrual : eliminação através das tubas de material endometrial viável,que teria capacidade de implantação.

2-Metaplasia celômica : o endométrio ectópico se desenvolveria a partir dos tecidos do trato genital.

3-Disseminação linfática ou sanguínea : disseminação do material endometriótico por via sanguínea ,o que explicaria a endometriose em outros órgãos ( pulmão por exemplo ) .

4-Deficiência imunológica : imunidade deficiente em reconhecer o próprio material endometrial.

5-Herança genética: alguns autores têm publicado sobre a tendência familiar da endometriose .


Todas estas teorias são incertas.
 
    A endometriose é classificada em vários graus, conforme a gravidade da doença, localização, etc. Pode localizar-se na cavidade pélvica , local mais comum ,comprometendo as diferentes estruturas e órgãos, como ovários, ligamentos largos, ligamentos útero-sacros, peritônio de revestimento do útero, trompas, escavação de Douglas, escavação vésico-uterina, sigmóide, reto, bexiga, septo retrovaginal, colo uterino ,vagina, parede vesical,ureteres pélvicos e linfonodos pélvicos.

   Com certa freqüência, existe desenvolvimento de focos de endometriose em outros locais como cicatriz umbilical, apêndice, intestino, pulmões, pleura, etc.

 
  

A endometriose pode apresentar-se de várias maneiras:


-tumorações decorrentes do conglomerado de órgãos e estruturas que resulta de aderências.

-endometriomas: cistos normalmente ovarianos ,com conteúdo líquido achocolatado.

-implantes peritonais : que podem comprometer toda a superfície peritoneal da cavidade pélvica.

Quadro clínico


    Sintomatologia dolorosa, que já foi referida linhas atrás, está presente na maioria dos casos. Quando a endometriose localiza-se nos ligamentos útero-sacros, é particularmente importante a queixa de dispareunia e de dor sacro coccígea. Em tais casos e naqueles em que existe comprometimento do septo retrovaginal, comumente há referência à dor por ocasião das defecações.

    A dismenorréia (cólica menstrual) ,normalmente está presente com grande intensidade.

Diagnóstico


    É realizado através do exame ginecológico , toque vaginal através do qual podemos detectar massas, espessamentos dos útero-sacros,etc.

    O ultrassom pode detectar endometriomas e eventualmente áreas de implantes.
Existem também algumas substâncias dosadas no sangue,e que quando aumentadas são muito úteis no diagnóstico, como o CA-125.

    O procedimento mais eficiente para o diagnóstico da endometriose é a laparoscopia, podendo-se visualizar diretamente a cavidade pélvica ,estabelecendo-se o diagnóstico, seu estágio evolutivo e ainda podendo-se iniciar o seu tratamento, através de cauterizações de focos e exérese de endometriomas.

Tratamento

Clínico:

    O tratamento clínico da endometriose pode ser realizado de diversas maneiras:

   -induzindo-se uma pseudogravidez : através de pílulas anticoncepcionais usadas continuamente para que a paciente não menstrue e os focos de endometriose sejam reabsorvidos, ou através do uso de progesterona via oral ou intramuscular .Ambos os esquemas podem apresentar vários efeitos colaterais.

   -induzindo-se uma pseudomenopausa: porem este tratamento causa efeitos como ganho de peso, edema, acne, pele oleosa, ondas de calor,etc; ou drogas mais caras como os agonistas do GNRH que podem ser administrados por injeções intramusculares de depósito mensal, via subcutânea ou spray nasal.

Cirúrgico:


Envolve uma correta identificação visual e a ablação do implante endometriótico.

A laparoscopia é útil , tanto no diagnóstico,quanto no tratamento cirúrgico da endometriose, além de oferecer menor período de internação hospitalar ,com redução nos custos,e a possibilidade de ser o tratamento realizado no momento do diagnóstico, através da ablação de focos através de eletrocautério, coagulação ou laser, aspiração ou exérese de endometriomas.

Tratamento da infertilidade 


    Há divergências quanto a indicação das técnicas de reprodução assistida, na situação em que a presença de endometriose não esteja causando distorções nas trompas. Nesse caso, alguns preferem a estimulação ovariana seguida de inseminação artificial com o esperma do marido. Para outros a técnica de transferência intratubária de gametas seria a melhor alternativa terapêutica.

    Pode-se utilizar também a técnica de FIV( Fertilização in vitro)