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Dra. Vincenzina Santangelo

Reumatologista

 

   As crianças freqüentemente se queixam de dor de garganta. É uma queixa comum à muitas doenças, desde alergias, resfriados comuns até infecções bacterianas mais sérias, como a faringo-amigdalite estreptocócica B hemolítico.

   Embora essa infecção possa ocorrer em qualquer idade, ela é mais comum nas crianças em idade escolar.
   Os sintomas causado pela infecção faringo-amigdalite são: dor de garganta com faringe e amídalas inflamadas, febre ( 38´C e 40´C), dificuldade para engolir, gânglios do pescoço doloridos e aumentados, mal estar geral, dor de cabeça, náusea e vômito.

   A duração em média é de uma semana e é nesta fase que a doença deve ser detida fazendo o diagnóstico e tratamento eficaz.
   Quando não tratada adequadamente, após duas semanas deste quadro se processam reações complexas de caráter imunológico entre o agente infeccioso streptococo B hemolítico e o organismo da criança predisposta resultando na doença conhecida popularmente como Reumatismo infeccioso, ( A Febre Reumática).

   É uma doença considerada uma complicação tardia da infecção de orofaringe ocorrendo uma reação inflamatória acarretando o comprometimento do coração, articulações e sistema nervoso central.

   Continua sendo um problema de Saúde Pública no Brasil e deve ser acompanhado e orientado pelo médico especialista o Reumatologista.
   Do ponto de vista articular, a criança pode apresentar dor intensa e inflamação das articulações com dificuldade para andar, geralmente são dores migratórias passando de uma articulação para outra com duração de uma semana; costuma responder bem com o uso de analgésicos e antiinflamatórios e não deixa seqüela articular como deformidades. 

   A manifestação neurológica da Febre Reumática a criança apresenta alteração do humor, da conduta, com mudança de comportamento e oscilação da labilidade emocional, podendo apresentar baixo rendimento escolar, piora da caligrafia, inquietude com movimentos incoordenados involuntários que se agrava com a atividade e desaparece durante o sono.
   A alteração neurológica da Febre Reumática é auto limitada e não deixa seqüelas, porém às vezes os sintomas prolongam-se por meses até a 1 a 2 anos com períodos de melhora e piora do quadro.
   Manifestações cutâneas podem ocorrer na Febre Reumática, porém são raras e se manifestam com presença de nódulos subcutâneos próximos das articulações e o eritema marginado que são manchas róseas ou vermelhas com bordas nítidas sem prurido aparecendo no abdome, dorso e tórax que regridem após semanas.

   Sendo a manifestação cardíaca da Febre Reumática a principal e mais importante alteração por que pode ocasionar danos no coração irreversíveis com seqüelas permanentes e incapacitantes.
   A cardite é uma inflamação da fase aguda podendo evoluir para uma cardiopatia valvular reumática com presença de sopro cardíaco.
O sopro de insuficiência mitral é o mais freqüente, porém pode ter alteração nas válvulas mitral aórtica e tricúspide.
   É fundamental a abordagem desta enfermidade com seriedade e acompanhamento para que seja evitado as seqüelas e cirurgias para correção das lesões das válvulas do coração no futuro destas crianças.

   As recorrências da Febre Reumática podem agravar ou modificar o prognóstico da doenças.
   O diagnóstico desta enfermidade Reumática não é fácil porque não há teste laboratorial seguro para confirmá-lo. Usamos critérios clínicos e provas inflamatórias inespecíficas para definir a doença.
   O tratamento tem como objetivo erradicar o estreptococo B hemolítico da orofaringe.

   A Penicilina Benzatina é o antibiótico de primeira escolha, devido a sua ação bactericida sobre todos os tipos de estreptococos.
   Há quarenta anos a Penicilina Benzatina por via Intra Muscular (I.M.) vem sendo usada no tratamento da Febre Reumática.
   A Organização Mundial de Saúde e a Associação Americana de cardiologia recomendam o uso no intervalo de vinte e um dias para o tratamento profilático da doença para evitar as recorrências.

   O Reumatologista freqüentemente se depara com algumas perguntas comuns dos pais de uma criança portadora de Febre Reumática. Existe a necessidade ou não da remoção das amídalas?
   Quando uma criança que apresenta constantes amidalites com febres e pus, a cirurgia das amídalas não irá curar a Febre Reumática mas, pode diminuir a quantidade de estreptococos infectantes lançados na circulação. Porém a remoção das amídalas, não altera o curso da doença, não reduz a incidência da doença e nem o risco de cardiopatia reumática.
   Outra dúvida freqüente é quanto a duração do tratamento profilático com a Penicilina Benzatina (Benzetacil).

   Se a doença começou na infância e não houve alteração cardíaca, houve apenas artrite ou coréia, deve-se fazer a profilaxia até aos 18 (dezoito) anos de idade.
   Nos pacientes com sopro leve até os 25 (vinte e cinco) anos e nos portadores de cardiopatia valvar residual a terapêutica profilática deve durar toda a vida ou pelo menos aos 35 (trinta e cinco) anos de idade.

   Cabe ao médico Reumatologista conscientizar os familiares e a criança da necessidade de conviver e aceitar o tratamento profilático desta enfermidade que pode ser grave e irreversível.

QUEM É O REUMATOLOGISTA?

   O Reumatologista é o médico especialista com ampla e sólida formação em clínica médica e aparelho locomotor, que após 3 anos de treinamento especifico nesta área se torna qualificado para diagnosticas e tratar as doenças reumáticas.

   É importante lembrar que, a exemplo de outras enfermidades, as doenças de natureza reumática evoluem de forma mais favorável e com menores riscos de incapacitação física quando são identificadas e tratadas em perda de tempo.

   Por isso, é fundamental que o Reumatologista seja consultado tão logo apareçam os primeiros sinais e/ou sintomas indicativos da doença.

   Para atender aos muitos interessados, a Sociedade Brasileira de Reumatologia reúne cerca de 700 médicos especializados, distribuídos por todo o país. 

   Todos eles prestaram as provas de capacitação profissional previstas pela Sociedade e conquistaram o título de Especialista em reumatologia. 

   Com a colaboração de outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas, psicólogos, etc., eles são os especialistas efetivamente credenciados para orientar o paciente reumático e seus familiares.