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Dra. Keila Cristina A. Carrazone
Psicóloga Clínica
Especialista em Psicossomática

 

 

   Para compreender o problema do abuso de drogas, deve-se ter em vista todo tipo de ingestão de drogas. Entre aquelas utilizadas para produzir euforia ou para reduzir a ansiedade e que conduzem ao hábito, ao vício.

   A dependência de drogas se inicia na maioria das vezes por curiosidade, em situações sociais, onde o indivíduo quer compartilhar entre amigos uma experiência ou emoções agradáveis.

   Há aqueles que pelo menos uma vez ao dia é motivado por um desejo ou necessidade de ter alívio de determinado problema ou situação de ansiedade. Outros devido à compulsão recorrem à droga freqüentemente com intensidade de longa duração, produzindo algum grau de dependência psicológica.

   Quando se estabelece a dependência de substâncias, 
ela pode ser do tipo psíquica ou física.

   Na dependência psíquica "existe um sentimento de satisfação e um impulso psíquico que exigem a administração regular ou contínua de drogas, para produzir prazer ou evitar o mal-estar causado por sua ausência". 

   A dependência física seria "um estado de adaptação do organismo que se manifesta através do aparecimento de intensos transtornos físicos quando se interrompe a administração da droga".

   Nestas situações o dependente começa a pagar um preço emocional, pois passa a ser observado com desconfiança pela família e pelos amigos, ao mesmo tempo necessita cada vez mais da droga para manter-se ativo.

   Progressivamente a dependência química vai minando a vida do dependente, acarretando sérios problemas na área física (emagrecimento, cirrose, disfunção hormonal e sexual, etc.), área psíquica (amnésia, delírios de perseguição, alucinações visuais, táteis, etc.), área emocional (ansiedade, angústia, agressividade física e verbal, sentimentos de rejeição, etc.), área familiar (desajuste familiar, expulsão do lar, roubos, furtos, etc.), área educacional e de trabalho (baixo rendimento escolar, queda de produtividade, perda de emprego, etc.), e área sexual (esterilidade, perda de potência, etc.).

   O dependente começa a desenvolver defesas emocionais como forma de proteger o seu "eu". Uma das mais comuns é a negação, quando ao ser interpelado ou aconselhado quanto ao uso abusivo de químicos, sempre afirma que não usa, ou que usa muito pouco. Outra defesa emocional é a projeção, onde o dependente atribui a culpa de seu uso aos outros.

   Quando o indivíduo se encontra na dependência grave, nesta fase é impossível viver sem o químico. Apesar de querer parar, já existe um comprometimento físico que é denominado "Síndrome de Abstinência". O organismo necessita o tempo todo de certa quantidade de químico para poder manter-se. Quando o dependente fica algumas horas sem a substância, apresenta sinais e sintomas físicos e psíquicos extremamente desagradáveis, chegando a ser quase insuportáveis como taquicardia, sudorese, tremores intensos, delírios, alucinações, sentimentos intensos de perseguições, etc. Isto leva a recorrer novamente a droga para aliviar estes sintomas.

   Com relação à família de um dependente químico acaba encontrando-se seriamente afetada pela sua doença. Podemos afirmar que ela também se encontra doente.
A família tenta controlá-lo porque o ama e percebe que ele está se auto destruindo. Assim, tenta ajudá-lo de diversas formas: ora justificando as suas faltas à escola ou trabalho. Pode parar também de ir a festas ou encontros, com medo ou vergonha, até mesmo jogando ou destruindo o químico de uso do dependente.

   De qualquer forma a família não tem controle algum sobre ele. Desta forma os familiares apresentam a mesma descompensação emocional do dependente, com a única diferença que não utiliza o químico.
Então os membros familiares precisam buscar ajuda para lidar com o dependente, encontrando formas de interação no ambiente familiar.
Quanto ao tratamento existem centros especializados que através de intervenções em todos os níveis (psiquiatra, médicos, psicólogos, etc.), levam o dependente químico e sua família a identificação de perdas e danos causados pelo drogado, motivando-o à abstinência e reformulação do estilo de vida para uma possível recuperação. Existem também grupos de apoio comunitários eficientes.
Agora, se a dependência for crônica, não existe cura, porém é possível estacionar a doença, abstendo-se do uso de substâncias alteradoras do estado do humor.