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Dor crônica


 
Dra. Marília C. Ribeiro Funes

 
Médica - CRM 37.617
 Anestesiologia / Acupuntura / Dor

 

  
   A Síndrome de Dor Miofascial (SMF) é uma lesão muscular causada por traumas ou micro-traumas repetidos na massa muscular, com liberação de substâncias algogênicas (substâncias que promovem a sensação dolorosa) e o aparecimento de pontos dolorosos chamados "pontos gatilho" (triggerpoints). 


   Apesar de pouco divulgada, está presente numa parcela considerável da população, sendo mais comum no sexo feminino, nas pessoas inativas e sedentárias, atingindo principalmente a faixa etária dos 30 aos 49 anos, ocorrendo raramente em crianças até a adolescência.


   A SMF está comumente associada à alteração da sensibilidade em um ou mais grupos de músculos, acompanhada por dor, espasmo, limitação de movimento, fraqueza e, às vezes, disfunção autonômica. Mais freqüentemente afeta a musculatura do pescoço, mandíbula, ombros e região lombar.
 
   A SMF pode ser primária ou secundária à outra patologia, assim devemos verificar a mobilidade, função neuromuscular, postura e alterações articulares, visando fazer o diagnóstico diferencial e/ou associação com outras doenças músculo esqueléticas, sendo a Fibromialgia uma das mais importantes (Quadro 2).


  
As causas para o aparecimento desta síndrome podem estar relacionadas a esforços excessivos, exercício que solicitem músculos não preparados, distensões, posturas viciosas, traumas de repetição e tensões emocionais.

   Alguns autores incluem, como fatores predisponentes, além de infecções crônicas, defeitos anatômicos e imobilidade prolongada, também a deficiência de vitaminas e sais minerais, ou seja, qualquer fator que interfira com a função muscular apropriada pode ser causa da SMF.

   Traumas como acidentes de carro, viajar de avião, trabalhar em mesas com altura inadequada, sentar em poltronas macias, usar sapatos inapropriados, caminhar em pisos desnivelados, devem ser observados.

   O diagnóstico da SMF é clinico, o paciente apresenta queixas de dor persistente, já tendo procurado vários profissionais, sendo que os exames complementares apresentam-se sem alterações.


  A dor miofascial tem característica de dor somática profunda e surda com ou sem movimentação, variando de intensidade e apresentando períodos de remissões e exarcebações. Frio ou calor, incluindo as mudanças de temperatura, ar condicionado e estresse emocional são fatores de piora de dor.

   Uma história detalhada dos eventos precipitantes, duração da dor, atividades que exerce no trabalho, lazer e em casa devem ser colhidas.

   Devemos observar a postura, comportamento frente à dor e os fatores psicológicos e sociais.

   O exame físico é de suma importância, visto que, a palpação sistemática das cadeias musculares, incluindo as não relatadas pelo cliente, é que nos possibilitará encontrar pontos sensíveis, endurecidos: os pontos gatilho. Estes pontos podem formar bandas musculares tensas, reagem à pressão digital com dor local, dor referida e "sinal do pulo". (Quadro 1)

   O sucesso do tratamento depende, além da eliminação ou atenuação da dor provocada pelo ponto gatilho, das terapias físicas, exercícios de alongamento, terapias farmacológicas, tratamento da causa quando possível e observação do indivíduo no seu meio biopsicosocial.


  
As injeções dos pontos gatilho e/ou "agulhamento seco" são normalmente utilizados no tratamento: a indicação para este procedimento é debelar estes nódulos endurecidos e consequentemente as bandas musculares tensas, diminuindo ou atenuando a dor, melhorando o movimento e impedindo que estes nódulos se tornem fibróticos e resistentes ao tratamento ou tornando freqüentes as recidivas.

   As contra indicações são as infecções local ou sistêmica e problemas emocionais em que o paciente não possa colaborar ou dar seu consentimento. A participação do paciente é essencial para os exercícios de alongamento após as aplicações, sendo que estas podem causar um certo desconforto por 1 ou 2 dias. Outros recursos podem ser utilizados, não específicos para esta síndrome mas que atuam nas dores crônicas em geral.

   A acupuntura é uma delas, atuando em nível local (agulhamento seco: ação antiinflamatória), como a nível sistêmico (liberando endorfinas e outras substâncias), provocando bem estar e melhora da dor. 

   A fisioterapia nas suas diversas modalidades está indicada atuando no processo doloroso, alongamento e correção de posturas inadequadas.

   O tratamento com medicamentos está reservado para os pacientes que apresentam sintomas associados, como por exemplo, os antidepressivos tricíclicos, para os casos de depressão.

   Os AINES (antiinflamatórios não esteróides) podem ser utilizados nos casos agudos, não tendo muita ação nos casos crônicos.

   O paciente deve também procurar alternativas para aliviar o excesso de tensão da musculatura tanto física como emocional fazendo exercícios leves, utilizando técnicas de biofeedback, meditação, relaxamento e auxilio psicológico, procurando escolher entre as opções existentes a que mais lhe agradar.

   Se fizermos uma análise, veremos que as causas da SMF estão no nosso cotidiano atual, portanto podemos e devemos antes de tudo preveni-la, tomando consciência que devemos zelar pelo nosso corpo, fazendo exercícios, utilizando posturas corretas, procurando alternativas para aliviar a tensão,e caso ela já esteja acontecendo, o diagnóstico e o tratamento correto e precoce evitará o sofrimento e a dor.

 

 QUADRO I
 SINAIS E SINTOMAS DA SÍNDROME DE DOR MIOFASCIAL

  • Ponto gatilho ativo: é patognomonico da SMF (síndrome Miofascial) sendo uma área bem definida, geralmente discreta de hiper irritabilidade no músculo ou fáscia. À palpação, reproduz classicamente, o componente local da dor assim como dor referida específica daquele músculo.

  • Ponto gatilho latente: Tem características similares ao ativo, diferindo deste por não haver dor espontânea, só ao ser estimulado.

  • Banda palpável: ao palpar o ponto gatilho podemos sentir uma área de fibras musculares tensas. À estimulação deste nódulo frequentemente provoca resposta de contração. (twich)

  • Sinal do "pulo" (jump sign): à palpação do ponto gatilho o paciente pode gritar, contrair-se e até pular.

  • Resposta de contração: não é o sinônimo do sinal do pulo, sendo uma contração fisiológica do músculo com ponto gatilho quando este é ativamente estimulado.

  • Dor referida: refere-se a dor numa região específica distal ao ponto gatilho, aonde idênticos sinais e sintomas (dor disfunção autonômica, disfunção motora, etc.) podem ocorrer.

 

 QUADRO II
 SÍNDROME MIOFASCIAL / FIBROMIALGIA

   SÍNDROME MIOFASCIAL FIBROMIALGIA
PREVALESCÊNCIA Sexo Feminino 3
Sexo Masculino 1
Feminino 10
Masculino 1
INICIO Agudo ou Crônico Crônico
DOR MUSCULAR Presente regional  Difusa
EXAME FÍSICO Bandas Palpares
Pontos Gatilho Dor Referida
Pontos Latentes
Dor Local
FADIGA  Rara  Pronunciada
DISTÚRBIO DO SONO Ocasional  Comum
DISTÚRBIO GÁSTRICO INTESTINAL Não  Comum Síndrome Colon Irritado
TRATAMENTO Infiltração Ponto Gatilho
Alongamento
Exercícios Aeróbicos
Antidepressivos
Triciclicos
PROGNÓSTICOS Geralmente Bom Crônico
 

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