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Dra. Vincenzina Santangelo

Reumatologista

   A espondilite anquilosante (e.a.) é uma doença sistêmica inflamatória crônica, que se destaca pelo acometimento primário da coluna vertebral, com envolvimento das articulações sacroilíacas de forma simétrica. Em seu aspecto clínico, podem ocorrer entesites de inserções ligamentares e tendíneas, artrite periférica, em geral assimétrica, preferencialmente de membros inferiores, como tornozelos, coxofemorais e joelhos, e mais raramente de membros superiores, em especial ombros.

O inicio do quadro clinico costuma se dar na segunda ou terceira décadas da vida, sendo raro após os 40 anos de idade. É três vezes mais freqüente nos homens do que nas mulheres e as características clinicas e radiológicas evoluem mais lentamente nas mulheres.

   A lombagia é a queixa mais comum e a mais precoce, descrita como dor em peso, de difícil localização, irradiando-se para a região glútea profunda e linha articular das sacroilíacas, quase sempre forma bilateral. O começo é insidioso, e piora depois do repouso. Após alguns meses, torna-se persistente, com rigidez e sensação dolorosa difusa na região lombar baixa. Em alguns casos, encontra-se poucas manifestações axial nas fases iniciais, predominando os quadros miálgicos seguidos por dores nas regiões de inserção tendinosa ou ligamentar.
   A rigidez lombar é o segundo sintoma mais comum, que piora após períodos de inatividade e, na fase primaria, melhora com atividade física moderada ou banho quente. Com o evoluir do quadro, a dor pode acordar o paciente durante o sono, muitas vezes obrigando-o a executar algum exercício para diminuí-la e com rigidez concomitante, comum nas fases avançadas da doença. As entesites de parede torácica, sejam nas articulações costoesternais, processos espinhosos, escápulas ou costovertebrais, podem causa dor e dificuldade de expansão torácica pela manhã. Esta restrição pode acontecer tanto na fase inflamatória, quanto na fase de anquilose dessas articulações.
   Manifestações gerais como febre, anorexia e inapetência podem ser encontradas nos estágios iniciais, sendo mais correntes na forma de inicio juvenil. O exame físico minucioso é crucial para o estabelecimento de diagnostico precoce da doença, encontrando-se limitação parcial do movimento da coluna lombar.

   Com a evolução do quadro, seja por atividade continua ou por surtos de repetição, pode ocorrer a anquilose óssea da coluna, caracterizada pela total falta de movimentos dos diversos segmentos da coluna vertebral. Esta evolução natural da doença surge, em média, após 10 ou mais anos do início dos sintomas, se não houver diagnostico ou tratamento adequados. Nesse estágio, o paciente adota a clássica posição de esquiador. Com retificação cervical e lombar e acentuação da cifose torácica, acompanhadas pela flexaoparcial dos joelhos par possibilitar a deambulação. 

   Na fase avançada da doença, o diagnostico clínico é possível pela simples observação do paciente ao deambular ou se sentar no consultório.
   Os achados laboratoriais mais típicos são sacroileite, sindesmofitos, calcificaçoes ligamentares, coluna em bambu e esporão de calcaneo.
O diagnostico diferencial deve ser estabelecido principalmente com as lombalgias. É uma enfermidade que tem que ser tratada pelo reumatologista.

  A abordagem terapêutica deve ser orientada para controle do processo inflamatório, prevenção de deformidades e respectivas correções cirúrgicas, quando presentes. Uma correta orientação postural, de posições para repouso e a prescrição de exercícios físicos apropriados, como natação ou hidroginástica, devem ser ressaltadas desde o inicio do tratamento. O acompanhamento fisioterapêutico especializado para preservar musculatura e função respiratória adequadas é fundamental. 

   No intuito de diminuir o processo inflamatório, são prescritos antiinflamatórios e na ausência de resposta clinica ou por efeitos colaterais, utilizamos imunossupressores.