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Dra. Sandra Regina Bossa
Médica
Especialista e Pós-graduada em Homeopatia

 

   Qual seria a dieta mais apropriada para o ser humano? 
Quais seriam os riscos que correríamos em transgredi-la?

   Se observarmos na natureza veremos que cada espécie possui uma dieta que lhe é própria, e, que por instinto, o animal a procura. O homem é o único que come praticamente de tudo, e, claro, os animais domésticos o seguem, ficando, inclusive, sujeitos as mesmas doenças.

   Nas últimas décadas, a dieta dos seres humanos mudou drasticamente para pior. Passamos a comer cada vez mais produtos industrializados, refinados (como arroz "branco", farinhas, açúcares), sucos e refrigerantes engarrafados e excessivamente açucarados, muitos produtos de origem animal como carnes, embutidos (mortadelas, presuntos, salsichas, lingüiças, salames, etc.), queijos, manteiga, iogurtes, ovos, etc. 

   Paralelamente, junto ao avanço da medicina no diagnóstico das doenças, na sofisticação dos exames, da engenharia genética, do mapeamento do genoma humano, na multiplicidade dos transplantes de órgãos, das pesquisas farmacológicas que descobrem a cada dia novas e poderosas drogas, observamos em contrapartida que o homem está cada dia mais infeliz e enfermo, e, cada vez mais precocemente. A incidência de doenças degenerativas, obesidade, câncer, doenças cardiovasculares, neuroses, psicoses, destacando-se as depressões e a violência estão aumentando a cada dia. 

   Claro que não podemos cair na tentativa de simplificar ou resumir as causas, que com certeza são múltiplas e complexas, mas, com certeza uma delas, são os hábitos alimentares adquiridos nos últimos anos. Gostaríamos de analisar, por hora, algumas evidências científicas sobre o consumo da carne na dieta do homem que aumentou muito nos tempos modernos. Ao contrário do que se acredita, os derivados animais não são a melhor fonte de energia. A fonte de energia da terra é o sol, e, as plantas são as únicas em condições de transformá-la em alimentos.

   A cadeia alimentar começa com os animais que se alimentam de vegetais, como os herbívoros (cavalo, boi, elefante, ovelhas, etc.), frugívoros (macacos, etc.). Reparem, por exemplo, a força e agilidade de um cavalo, sua musculatura, dentes fortes, resistência física e, não vai ser difícil concluir que não é necessário ingerir outros animais para sermos fortes e sadios.
   Outro aspecto são as fontes da tão valorizada proteína que leva muitas pessoas a acreditar erroneamente que se não comerem carne ficarão anêmicas e fracas. De fato, a carne é rica nestes elementos, mas não são sua única fonte. Pelo contrário, o aproveitamento dela após a digestão é de apenas 10%, o restante, são detritos e toxinas que nosso organismo tem que eliminar, com algo custo para a saúde.
   Para entender melhor, imaginemos que a proteína é uma parede formada pelos aminoácidos que seriam os tijolos, e, se você fosse construí-la, teria a opção de usar tijolos novinhos (fontes de proteínas de origem vegetal) ou desmanchar uma parede pronta (a carne de outro animal) para usar os tijolos. Claro que você pode fazer da segunda forma, só que com menor aproveitamento e com muita sobra de entulhos dos quais você terá que se livrar depois.
   Muitos estudos provam que as pessoas que não ingerem ou ingerem menos produtos de origem animal, são mais magros, tem menor incidência de doenças do coração e artérias, menos câncer, principalmente de intestino grosso, etc. Qual seria então a dieta mais apropriada ao organismo humano? Tudo indica pelo que observaremos a seguir, que o homem filogeneticamente é semelhante aos animais herbívoros e frugívoros. Nutricionalmente falando, a ingestão de cereais (arroz, milho, trigo, cevada, aveia, etc.) com leguminosas (feijão, lentilhas, ervilhas, grão de bico, etc.) possuem todos os 8 aminoácidos essenciais (aqueles que nosso corpo não é capaz de sintetizar por si mesmo) para a formação das proteínas.
   Acrescente a estes alimentos todas as frutas, legumes, verduras, sementes, raízes e castanhas, e, não faltará absolutamente nada à sua dieta. Outra angústia comum, são as fonte de cálcio. E a osteoporose? Normalmente perguntam, as mulheres principalmente. muitos acreditam que carne, leite e derivados são suas únicas fontes, o que é falso.
   Os vegetais em geral são ricos neste nutriente mais exercícios e sol são suficientes para evitála, desde que a pessoa não acidifique o sangue com excesso de carnes, aç~ucares, produtos químicos e laticínios, que acidificam o sangue obrigando a sofrer uma perda óssea para neutralizar esta acidez. Pesquisas constatam também que povos tradicionalmente vegetarianos chegam a idades bem avançadas, enquanto os esquimós, por exemplo, obrigados à uma dieta só com produtos animais, morrem antes dos 40 anos.

   Claro que é difícil seguir uma dieta ideal, tão acostumados que estamos aos nosso hábitos, à influência dos comerciais de alimentos, ao convívio em festas familiares e sociais, mas, é certo, que precisamos rever nossos hábitos e nos preocuparmos com que tipo de alimentos estamos fornecendo às nossas crianças e que conseqüências terão no futuro. Provavelmente, nenhum avanço da medicina substituirá bons cuidados com nosso corpo.

   As pessoas não podem delegar todo o cuidado da sua saúde apenas aos médicos, precisam ter consciência e responsabilidade na manutenção de seu bem-estar físico, procurando meios de se manterem saudáveis. A seguir, algumas evidências que procuram demonstrar a semelhança entre a anatomia e fisiologia entre o homem e os animais herbívoros e frugívoros. Os carnívoros possuem dentes caninos e afiados em toda a boca, para dilacerar a carne, além de garras afiadas para a caça.

   O esôfago é curto e tem calibre grosso. Sua mandíbula tem apenas movimento vertical. Antes de deglutir a carne, o carnívoro não a fica mastigando, e, sim, engole-a de uma só vez. Não possuem poros na pele, e transpiram pela língua e respiração. Possuem glândulas salivares pequenas, saliva ácida, ácido muriático no estômago par digerir músculos, cartilagens, etc., e, seu intestino é curto, cerca de três vezes o tamanho do seu corpo, para que a carne seja digerida e rapidamente expelida. Os animais carnívoros não possuem dentes molares, que servem para triturar grãos, e, nem ptialina, uma enzima que inicia a digestão dos cereais na boca.
   O homem tem muita semelhança com os animais herbívoros e frugívoros. Estes possuem milhões de poros na pele pelos quais transpiram, não têm garras, não têm dentes caninos afiados em toda a boca e, sim, dentes molares para triturar grãos. Suas glândulas salivares são muitos desenvolvidas, sua saliva é alcalina, possui ptialina para iniciar a digestão dos cereais na boca.

   O esôfago é longo e estreito, a acidez do seu estômago é 20 vezes mais fraca e, seu intestino é 12 vezes mais longo do que o seu corpo para digerir vagarosamente alimentos que não apodrecem facilmente, como os vegetais. Quais, então, seriam as conseqüências de uma dieta inadequada para a saúde do homem? Cientistas constatam que enquanto os carnívoros possuem capacidade quase ilimitada para ingerir gorduras saturada e colesterol (componentes das carnes), num animal herbívoro estes componentes endurecem as artérias pela deposição da gordura, resultando numa séria doença conhecida como arteriosclerose, provocando infarto, pressão arterial elevada, doenças no cérebro, rins, etc. Isto ocorre porque a gordura animal tem a propriedade de grudar, aderir, ao contrário do que acontece com a de origem vegetal.

   Podemos imaginar o que acontece quando ingerimos carnes: nosso estômago é forçado a produzir mais ácidos, visto que a carne exige uma digestão ácida, e, isto, somado a outros fatores estressantes, provocam gastrites, indigestão e outros mal-estares gástricos.

   Nossos intestinos longos e cheios de voltas, demoram para eliminar estes detritos que apodrecem numa temperatura de quase 37 graus.
A ausência de fibras, encontrada apenas nos vegetais, impossibilita a formação do bolo fecal, tão necessário ao bom funcionamento dos intestinos, que ficam mais vulneráveis a doenças como colites, diverticulites, hemorróidas, obstipação intestinal (intestino preso), uma queixa tão comum nos tempos modernos, mesmo em crianças.

   Tudo isto ainda sofre o agravante de ingerirmos carnes com hormônios usados para apressar a "engorda" dos frangos e gados, e, dos conservantes nitratos e nitritos, produtos comprovadamente cancerígenos.

   O consumo da carne está associado a maior incidência de câncer do cólon, mamas, e, outras doenças. Outra diferença a ser destacada é o tamanho do fígado, proporcionalmente maior nos carnívoros e com capacidade de transformar ácido úrico em uréia. Outro ponto para ser analisado, são as condições horríveis de alimentação e confinamento, que multiplicam os hormônios de "stress" dos animais, somados ao sofrimento dos transportes e pressentimento da morte, que envenenam seu organismo e que acabamos comendo junto com sua carne. Por hora, deixaremos de considerar os aspectos econômicos e espirituais ligados ao consumo indiscriminado dos produtos de origem animal.