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Fisioterapia na Esclerose Lateral Amiotrófica - ELA

 



Dra. Clarissa Ramirez Tognola

Fisioterapeuta

 


   A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa caracterizada por perda progressiva dos neurônios do córtex cerebral e do corno anterior da medula espinhal, levando atrofia e fraqueza muscular generalizadas. 

   Atinge preferencialmente pacientes a partir da 6ª década, sendo mais freqüente no sexo masculino(1). 

   O tratamento da ELA baseia-se em medidas específicas para a doença, ou seja, tratamento medicamentoso com o objetivo de aumentar a sobrevida; e em medidas específicas para o doente, ou seja, aquelas que tentam melhorar a qualidade de vida, evitando complicações, retardando a incapacidade funcional e prolongando a independência dos pacientes. (2)
  
   Quanto às medidas específicas para a doença, nas últimas décadas, os estudos de equipes médicas fundamentam-se nos medicamentos bloqueadores de glutamato como o Riluzole e vitaminas antioxidativas, que auxiliam na sobrevida desses pacientes. A recombinação de proteínas ajuda na ativação do processo celular e nos processos neurotoxidade. Nenhuma terapia é efetiva, mas os artigos apresentam propostas e pesquisas futuras no conhecimento e combate dessa doença (3). 

   Quanto às medidas específicas para o doente, verificam-se vários trabalhos na literatura, que salientam a importância da associação da terapia medicamentosa com a equipe multidisciplinar, principalmente, a participação de neurologistas, de fisioterapeutas, de fonoaudiólogos, de pneumologistas, de gastrologistas, de terapeutas ocupacionais, de psicólogos e de enfermeiros para o prolongamento da sobrevida desse paciente, evitando complicações (4).

A fisioterapia tem contribuído de maneira efetiva e enfatiza os seguintes objetivos(4):

Exercícios de alongamento muscular:
O alongamento pode reduzir o aparecimento de cãibras e previne encurtamentos nos músculos, que dificultam os movimentos dos pacientes;

Movimentos Ativos ou Passivos:
O movimento ativo é aquele o paciente realiza sozinho, e o passivo, é aquele realizado no paciente, por outra pessoa; são extremamente importantes para manterem ou aumentarem as amplitudes de movimento dos pacientes;

Exercícios de força muscular:
São necessários para aumentar ou manter a força muscular, prevenindo a fraqueza dos músculos. Devem ser feitos progressivamente, respeitando o limite dos pacientes e evitando a fadiga muscular (cansaço);

Exercícios posturais de tronco:
São exercícios para manter ou melhorar a postura dos pacientes, evitando cifose (curvatura exagerada da coluna para frente) ou escoliose (curvatura da coluna para um dos lados); bem como, manter a capacidade de expandir o tórax com qualidade;

Exercícios respiratórios:
Importantes para prevenir incapacidades de expansão torácica e acúmulo de secreções.


   Os pacientes com ELA devem realizar exercícios fisioterapêuticos diários para melhorarem a funcionalidade e a qualidade de vida. Na impossibilidade de estarem com um fisioterapeuta diariamente, é aconselhável ser avaliado pelo fisioterapeuta e solicitar exercícios domiciliares que possam ser realizados pelos pacientes com auxílio dos seus familiares e pelo menos mensalmente, serem acompanhados pelo mesmo profissional que realizou a avaliação e indicou os exercícios, assim, podem ser feitas correções e mudanças dos exercícios domiciliares com qualidade e segurança.


Obs:
 
Foto realizada na sala de reuniões da fisioterapia na enfermaria da neurologia do HC FMUSP.

Referências Bibliográficas:
1. ADAMS, R.D.; VICTOR, M. Principles of Neurology. Fourth edition. New York: McGraw-Hill, 1989: S953-S954.
2. MILLER, R.G.; SUFIT, R.; MITSUMOTO, H.M.D.; GELINAS, D.F.; BROOKS, B.R. ALS Standart of care consensus. Neurology, 1997; 48: S33-S37.
3. WERNECK, L.C. Perspectivas em doenças neuromusculares - ELA. Rev. Bras. Neurol, 1994; 30: S37-S40.
4. PIEMONTE, M.E.P. Manual de Exercícios Domiciliares para Pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica. 1ª Edição. São Paulo: Manole, v. 2, cap. 3, 2001.